terça-feira

Do lado de fora do armário

A saída do Segundo Armário 

Apenas agora, quatro anos após o diagnóstico, resolvi falar abertamente sobre essa vivência. O que quero dizer é que o Gabriel passa a conviver agora com o Salvador. Não preciso mais de um codinome para minha própria história. Embora reconheça a importância do Gabriel durante todo esse processo.

Muitos motivos me levaram a querer sair efetivamente do segundo armário. No decorrer desses anos, percebi que tanto o blog quanto o livro possuíam um potencial grande para produzir no outro possibilidades de identificação. Nesse sentido recebi muitos e-mails e contatos de pessoas recém diagnosticadas, mães que descobriram que seus filhos possuíam o vírus, namorados com dúvidas e tantos outros. Do lado de fora do armário tenho a sensação de poder contribuir mais. Percebi ainda, que muitos amigos que até então não pensavam tanto sobre o HIV, começaram a fazer o teste e a buscar alguma forma de prevenção. Alem desses motivos, já não conseguia mais produzir uma entrega parcial. Eu precisava estar inteiro nas minhas ações, no meu trabalho, nas minhas relações e nas minhas vivências. Nunca consegui me acostumar com a ideia de que não posso revelar que tenho o vírus em função do estigma. As pessoas falam quando são diabéticas, tem câncer, dor de cabeça, sinusite etc. Por que eu não posso falar que tenho HIV? O armário confina e limita e com isso alimentava cada vez mais monstros e me poupava de muito amor, carinho e a real percepção do que é solidariedade. Não quero dizer que tod@s devem revelar sua sorologia. Cada um sabe o seu momento e a melhor forma de viver esse processo.

Quando postamos algo no Facebook é como se o mundo inteiro ficasse sabendo. A sensação é a de que revelei o vírus durante um capítulo final de novela das 9h. Isso porque boa parte das pessoas que mais importam estão ali: familiares, amigos e colegas.

No decorrer desses quatro anos muita coisa aconteceu em minha vida. Não que seja o fim de um processo, mas certamente uma etapa vencida. Hoje o vírus não me impede de ser feliz, nem de correr atrás dos meus sonhos. Muito pelo contrário, ele traz a possibilidade de me recriar novos olhares para o mundo. 

As lágrimas dos últimos dias foram de felicidade, por sentir nas palavras dos MEUS (familiares, amigos, colegas e desconhecidos) muito amor e muito carinho. Não quero que ninguém se entristeça com meu passado, mas que de alguma forma possamos juntos ter novos olhares acerca desse vírus. Acima de tudo desejo muito que possamos juntos lutar contra a face mais cruel do HIV, que durante décadas vem se reproduzindo da forma mais mortal na cabeça de muitos via: preconceito e discriminação. 

Não tenho palavras pra relatar o amor recebido nesses últimos dias. Quero muito, algum dia, poder retribuir isso de alguma forma. Obrigado por vocês existirem e por fazerem parte da minha vida! 



7 comentários:

Francisco disse...

Deixo-te um grande abraço de carinho

Anderson Bola disse...

Primo... eu fiquei encantada com sua historia... comecei a ler o livro e nao queria mais parar ate q entao fui obrigada rs...por nao conseguir baixar... pessoas como vc nos encoraja a nunca desistir...sei o quanto sofreu mas hoje com seu seguno armário aberto , vc nao está mais sozinho e tenho certeza que toda nossa familia se orgulha muito da sua historia.... vim aqui para te dizer que te amo muito e sempre que precisar rir um pouco estarei aqui...

beijos Juliana Correa

obs: me viciei nesse seu blog, nao deixe de postar

Leandro Fagundes disse...

Sua história de vida é maravilhosa e cheia de exemplos de coragem e superação. Siga sempre olhando para frente e que você seja fonte de inspiração para muitos. Abraços!

Cynthia disse...

Às vezes ainda me pergunto se abrir essa porta foi a melhor escolha. Mas vendo como vc está feliz, bem e realizado, acredito que sim. Parabéns pelo homem forte e guerreiro que és. Orgulho de ser sua irmã. Beijão!!!


Anônimo disse...

Sua forma de escrever é magnífica!
*_*

Tâmara Alves disse...

Que nome encantador o seu, Salvador seu lindo!
acabei de ler seu livro.
Postei ná page do livro a resenha que fiz no skoob. Espero que você goste!
Foi minha pequena contribuição pra essa obra linda!
Salvador, acredito que na vida, independente de qual o problema que passamos,podemos optar em ficar passivos diante da dor ou lutar para entender e aprender sobre pelo que estamos passando. Eu escrevo sobre comportamento e superação no meu blog e seu livro me deu uma base incrível, fez eu ter mais certeza ainda de que superar é possível!. É muito fácil falar em superação sobre dores de amor e etc. Mas superar uma noticia nitroglicerina puríssima como aconteceu com você. Expandi meus horizontes lendo sua historia. Estou gratíssima por você ter partilhado sua historia e me dado essa oportunidade.
Tô aqui torcendo por você. E vou torcer pra você postar coisas novas aqui.
Um beijo,toda a saúde do mundo pra você!

Latinha disse...

Olá Salvador!

Olha eu acompanho seu blogue tem um bocado de tempo, chegamos a trocar algumas mensagens por e-mail inclusive e queria aproveitar e me juntar a todos aqueles que de alguma forma foram tocados pelo teu trabalho... consciente ou inconscientemente você acabou nos ajudando muito.

Tenho um amigo muito querido que descobriu "por acaso" ser soropositivo recentemente e eu acabei bastante envolvido pois vinha acompanhando-o já... Creio que muito da minha postura e disposição em ajudar veio das leituras do teu blogue e do teu livro.

Obrigado!

Vou lhe escrever um e-mail depois contando melhor e gostaria de fazer umas perguntas, se você não se importar...

fico feliz que esteja postando novamente! Deixo um grande e forte abraço para ti

Léo / Latinha