domingo

Sou, Li, Dão!


A solidão é o mais certo dos sentimentos que sinto neste um ano de vivência com o HIV. Por mais que eu saiba que tenho amigos e que também saiba que posso contar com algumas pessoas, insiste em surgir a vontade de me isolar um pouco das pessoas e do mundo.
Por que há essa necessidade tão grande da "não convivência"? O "não contato" com o outro implica necessariamente num contato íntimo comigo. Não vejo a solidão com maus olhos. Penso que seja uma estratégica psíquica de sobrevivência.
Não tenho compromisso com a felicidade, nem com a tristeza. Às vezes a minha liberdade me aprisiona em estágios de repetição da dor. Ser livre para ser só. Tenho uma resposta para isso.
Penso que na troca com o outro espero compreensão ou uma resolução para questões que não cabem ao outro resolver e nem a mim. A mim cabe conviver. A resolução implica numa resposta pronta; ela não existe. Tento me reinventar.  O que mais dói é perceber que algumas pessoas não se reinventam. Inventam de reproduzir suas "mesmices".
Estrada na escolha, escolha na estrada. Não há solução. Estaremos sempre diante dessa questão.
A receita ainda me irrita um pouco. O bolo já queimou e não há muita coisa a se fazer. Definitivamente não caibo nessa caixa, nem neste caixão.



10 comentários:

FOXX disse...

eu li "sou lindão"
e acho q vc devia se ver assim tb
pq nós, teus amigos, só desejamos te ver feliz.

Margot disse...

Achei interessante a sua colocação de não ter compromisso com a tristeza nem com a felicidade. Nunca pensei nesse compromisso implícito em nós, "a obrigação quase, de ser feliz". Não existem fórmulas... é cada um à sua maneira e na sua estrada. Também me sinto bem sozinha, até anseio por momentos de solidão. Será que isso nos faz.... diferentes?
Abraços querido.

Gato Van de Kamp disse...

O que mais dói é perceber que algumas pessoas não se reinventam. Inventam de reproduzir suas "mesmices". [2]

Né???
É sim!!!

Alguém Por Aí disse...

Olá Margot, obrigado pelo comentário. Não penso que nos faça iguais nem diferentes, é apenas um registro de que somos humanos.

Gato, quando escrevi pensei numa situação de preconceito que vivi, admito que felizmente até essas pessoas mudam.

Alguém Por Aí disse...

Acho que a solidão é sempre única e também tem um lado muito bom para o processo criativo e necessária para elaboração de sentimentos de tristeza.

Freddie Butterman disse...

Caramba, que profunda a sua visão disso tudo. Eu compartilho contigo essa necessidade de solidão e bem sei que não é necessariamente tristeza. Misantropia, talvez. Como diria Caetano sobre tristeza: "Belezas são coisas acesas por dentro, tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento..."

Abração, cara.

Fred disse...

Claro que tens compromisso com a felicidade... todos temos... hehehe!
Eu te quero bem e te quero sempre por perto... portanto te orienta... hehehe!
Beijão, gatão!

Prisioneiro 0001 disse...

Texto muito bonito, mas tb triste.

Esse conhecimento interno é importante e necessário... Mas a troca com o outro tb é, viu?
;)

Alguém Por Aí disse...

Vcs todos são lindos... beijos.

Cara Comum disse...

O importante é tentar, seja se afastando ou se aproximando!

Beijos!