sexta-feira

O médico gato



  Faz quase uma semana que estou tendo febre, baixa, mas o suficiente para me preocupar e procurar ajuda. Pois bem, fui em direção ao meu centro de tratamento para um atendimento de emergência. Aguardei os exames e fui mostrar ao médico (a médica que fez o primeiro atendimento havia saído e já tinha me orientado que eu iria mostrar os mesmos a outro médico).
Pois bem, esperei, esperei, esperei e de repente desce o médico.
Alguns meses antes... eu estava numa boate e conheci um cara muito carinhoso, fato que me marcou nesse dia. Lembro-me de sua fisionomia, e principalmente da forma como ele me tratava. Realmente foi um “ficante” marcante. Lembro-me que havia muita afinidade, bom papo e que ele era médico.
Exatamente isso que você está pensando. O meu ficante de meses atrás era o médico que me atendeu. Eu fiquei absolutamente sem reação e sem saber o que fazer. Mentalmente fiz um sinal da cruz e segui seus passos:
- Entre, tá muito frio aqui fora. Seus exames estão quase prontos.
Entrei, e nessa hora quase havia me esquecido da febre. Lá ele me fez inúmeras perguntas, me atendeu muito bem, mas sabe aquele olhar? Pois bem, ele me perguntava com um olhar diferente. Eu senti que ele se lembrou de mim e me olhava com um carinho especial, ou mesmo desejo. Eu já tava achando que era um pouco de loucura da minha cabeça, quando ele encostou suas pernas na minha. Eu fiquei meio desesperado, e afastei minhas pernas. Era mais por respeito, sei lá. Eu tava tenso.
Ainda não acreditava no que acontecia. Sempre achei a classe médica a mais preconceituosa do mundo, puro preconceito meu, confesso; e de repente um ex ficante, me atendendo numa instituição de soropositivos... nossa! Eu devia estar viajando, ou delirando da febre, rsrs.
Falei sobre minha contaminação e ele com uma voz muito suave foi me falando que eu ia ficar bem, que eu podia confiar nele. No final, felizmente meus exames não acusaram nada demais, me passou uma medicação e falou que iria me liberar. Prontamente agradeci e fui em direção ao elevador e parei quando ele disse:
- Eu vou te acompanhar até lá embaixo. Esse elevador tá com problema.
Ele desceu comigo, eu agradeci, e ele permaneceu dentro do elevador para voltar ao trabalho. Nossa, como eu queria uma segunda chance. Devo passar mal de novo no próximo dia de seu plantão? Namorar um infectologista seria muita ironia do destino. Ou seria unir o útil ao agradavel? Eu sei que estou até agora surpreso. Queria que ele acessasse meu prontuário e me ligasse. rsrs Acho que ele é muito ético... vou ficar na vontade.



6 comentários:

FOXX disse...

ele tocou seu joelho e foi te deixar até lá embaixo, ele já jogou essa ética no lixo faz tempo! boa sorte, qrido! vai dar uma ótima estória.

Cara Comum disse...

Eu acho que ele não vai avançar mais que isso que ele fez. E nem acho que ele jogou a ética dele no lixo não. Médico também é ser humano e ele não fez nada que te constrangesse ou que fosse "mais ousado". Ele apenas deixou claro pra vc que "a porta está aberta"...

Enfim, agora vc sabe onde encontrá-lo...

Abraços!!

Gato Van de Kamp disse...

Tb achei forte "ética no lixo".. Só deu um molinho, gente.. AI .. Te acompanhou no elevador.. Isso existe??? Que fofo.... Volta de novo, vai???

Pessoa rodada e de sorte...

Ro Fers disse...

Caraca! Que situação. Será destino? Agora acho que deveria fazer sua parte, dá próxima vez puxe algum assunto pra distrair.
Apesar de que eu em seu lugar não veria problemas em questioná-lo, dizendo que conhece ele de tal lugar, enfim até que relembrem do dia que ficaram...
Forte abraço!

Três Egos disse...

Gente, mas que mundo pequeno. Em que cidade vocês vivem? rsrsrs... É acho que ele não te acompanharia no elevador se não tivesse segundas intenções também...

Abraço!

Alguém Por Aí disse...

Olá amigos, ainda estou anestesiado com isso que aconteceu. Vou deixar por conta do destino... vamos ver o que me aguarda.