quarta-feira

Propaganda dá morte

Parabéns ao "Profissão Repórter" por me fazer sentir portando a morte. Acho que a Globo já fez excelentes reportagens sobre a temática (como a do Drauzio Varella em janeiro), mas dessa vez acho que, embora em alguns pontos tenham sido positivos, focalizaram muito a AIDS como sinônimo de morte.
Esse estigma que a AIDS carrega é histórico e é a base de uma série de preconceitos que habitam nossa sociedade. Inevitavelmente minha cabecinha soropositiva também reflete e reforça alguns desses estereótipos que adquirem nela o formato do medo.
A Globo foi infeliz em listar pacientes vítimas de doenças oportunistas, reforçando ainda mais esse estigma da proximidade com a morte, o que a doença em si já se encarrega de fazer comigo. Quem não olharia o vídeo abaixo sem sentir pena dos pobres “sentenciados pela morte”, como a reportagem colocou. É óbvio que a oportunista é uma realidade principalmente para pessoas que não tomam a medicação e que descobrem a partir da doença já estabelecida. Essas pessoas merecem tratamento e devem ser respeitadas além desse momento ruim e não são sinônimo dessas doenças. Todos nós soropositivos podemos adquirir uma "oportunista", mas não podemos permitir que reduzam nossa vida a isso.
O primeiro erro da reportagem foi a escolha do local. Por que fazer a reportagem num hospital com pessoas doentes? Por que não procurar um CTA/SAE que existe em todas as cidades? Por que encontrar com pessoas apenas no momento da oportunista como se ela fosse universal a todos os portadores da mesma forma, ou mesmo como se ela fosse o único destino de quem tem AIDS? Acho que com ou sem doenças, somos seres humanos muito maiores do que isso. Eu mesmo nunca senti nada, descobri como disse a minha médica, "no momento certo" para "viver bem com a medicação".
Acho importante que o foco das campanhas do Ministério da Saúde esteja na prevenção, e inclusive acho que deve ser investido mais dinheiro na prevenção, obviamente sem prejudicar o tratamento (não sou suicida, né?!  Embora as vezes me sinta um).
Acredito que os meios de comunicação são ferramentas para essa prevenção. O que discordo é que essa prevenção se dê pela via do medo da morte o que  reforça cada vez mais esse estigma e dissemina preconceitos. 

Confira o Profissão Repórter: (se não tiver paciência para assistir 30 min de vídeo pule para as propagandas de prevenção logo abaixo)




 

Acho que  existem formas mais educativas e menos coercitivas para se fazer prevenção. Listo abaixo algumas das piores propagandas que vi na internet sobre a "prevenção" da morte, ops, do HIV. Fiz uma separação entre campanhas estrangeiras e brasileiras. Confesso... deu orgulho de ser brasileiro!!

 Estrangeiras







                                                                           

                                                                          Brasileiras






Tá bom gente, a do carnaval foi ridícula. Mas não teve nenhum tipo de preconceito ou estereótipo. Pra levantar ainda mais a bandeira verde e amarela tenho orgulho em dizer que além de não reforçarem preconceitos, algumas ainda combatem. Confira:






3 comentários:

Cara Comum disse...

Nossa!! Confesso que deu preguiça de ver o Profissão Repórter, mas só de ver as propagandas estrangeiras que vc selecionou fiquei chocado!!!

Cara, essa coisa de mídia é muito foda, né? Vou ficar pensando sobre os estragos que os outros produzem sobre a gente...

Abraços!!

Anônimo disse...

Olá...
Acho que dessa vez a globo passou dos limites...
Sou psicóloga e trabalho com SP.
Assisto sempre o programa, mas naquele episodio resolvi assistir com mais carinho, pois achava que me acrescentaria algo para usar com os pacientes ou até mesmo para melhor entender alguns conflitos. Confesso que arrependi completamente. O assunto foi falado de uma forma generalizada e não é bem assim , cada caso é um caso, e assim suas reações e ações...
Fiquei decepcionada com a forma que foi abrangido o tema...

Abraços...

poliane_itb@hotmail.com

Fabrício Oliveira disse...

Chocado com as 2 primeiras propagandas estrangeiras! Credo!