domingo

Homofobia


Como é estranha a sensação de ter que ser o que você não é. Algumas situações específicas demandam uma certa atuação, as vezes por questões de sobrevivência. Você já teve que esconder pensamentos, sentimentos, sensações em prol de um convívio saudável? Acho que em algum momento todos fazemos isso.
O pior é quando você está numa situação de dependência. O grau de sua atuação e principalmente opressão de sentimentos se torna maior e muitas vezes insuportável. Quem nunca teve que talhar “como um artesão a imagem de um rapaz de bem”?
Tenho me sentido assim desde ontem. As vezes não encontro saída para expressar quem sou e o que penso. E quando o que você é agride de alguma forma alguém? Parece que muitos filhotes de Ritler habitam a terra. Como se o triângulo rosa ainda existisse de alguma forma na cabeça de algumas pessoas, mas agora, ao invés de marcar homossexuais para discriminar, o importante é fazê-los “não mostrar essa condição” para que sejam aceitos.
Acho que essa espécie de preconceito velado é tão cruel quanto a violência física. Ele é ainda mais perigoso pois é muito mais sutil em sua atuação e muitas não é percebido. Pequenas atitudes constroem a segregação existente.
Quantas paradas gays serão necessárias? Quantos beijassos farão parte dessa construção? Por que o que você faz na cama importa mais do que seu caráter? Por que ter que se assumir? Por que ter que se esconder? Por que ter que por em discussão um desejo tão pessoal?
Certamente as violências contra homossexuais respondem a necessidade desse debate. Mas é tão estúpida a base dessa violência. Opção/orientação/posição/relação ou o que quer que seja no âmbito sexual (desde que não agrida a outrem –ou se agredir que seja consentido por ambos, rs) deveria ser da ordem do privado.
Ao doar sangue ninguém pergunta: “como você gosta de ser lambido?”,  “qual posição sexual você prefere?”, “você gosta de buceta peluda ou pelada?”;  mas certamente te perguntarão: “você tem relação homoerótica?” E isso é critério de exclusão de seu sangue pois ele já é sujo e isso é carimbado pelo seu desejo sexual.
Nossa sociedade é heterossexista, machista e homofóbica. Acho que ainda temos muito o que caminhar. A mudança do aparelho jurídico é o primeiro passo. Afirmo, PRIMEIRO passo. A estrada é tão longa que não é possível ver o final.
Quando penso que avançamos em algumas questões vejo que ainda arrastamos em outras.
Quem nunca se sentiu um “cara estranho”? 


9 comentários:

FOXX disse...

sua revolta é completamente justificada!

Mutante "h" disse...

como sempre vc dando voz(texto) ao nosso pensamento. recentemente, vistando a cidade interiorana do meu namorado passei algumas situações onde refleti mto sob ter q ser fora o q não sou dentro.
nos primeiros dias isolados no apto dele, e vivenciando a naturalidade de nosso ser foi perfeito. Tão perfeito que qdo saiamos as ruas por vsz nos esqueciamos q estavamos em um mundo diferente dakle tão livre cm era entre 4 paredes. Por vsz olhavamos os casais na tradicional e unica pracinha da pekna cidade, de maos dadas e a gente tendo que manter uma distancia sob olhares suspeitas de q fossemos SERES MUTANTES. triste..triste..triste

Candy disse...

Uma vez eu citei em um post que estamos vivendo um momento histórico. O mesmo momento pelo qual os negros passaram e as mulheres também. Ambos conseguiram seus direitos e hoje são respeitados pela sociedade e têm leis que garantem suas integridades física e moral. Infelizmente nós não nascemos um pouco mais para frente e somos nós que temos que lutar agora para garantir que, no futuro, o direito que queremos seja assegurado para outros. Como eu disse, é uma guerra e há batalhas que perderemos, mas no fim, se formos fortes, coesos e unidos poderemos vencer essa guerra. Preconceito é uma coisa que jamais deixará de existir, mas pode ser diminuido e todos queremos, no mínimo, respeito e segurança para ter a liberdade de exercer nossa sexualidade em paz. ;)

Bjs

Alguém Por Aí disse...

Pois Fox... revolta é uma boa palavra! Mutante, em cidades pequenas tudo fica mais difícil... estamos mais visiveis.
Olá Candy, excelentes palavras! Espero que nosso país continue caminhando em prol desses direitos. O problema é mudar a cabeça dura e as vezes oca de algumas pessoas.

Eros de Vênus disse...

Particularmente não acredito mais no propósito dessas paradas gays, principalmente no que se tornaram. Inicialmente a filosofia era outra, havia um objetivo sério, agora perdeu-se o sentido ou uma grande parte dele. Fala-se muito em visibilidade, quantidade, etc, etc, etc. Do que? O que vejo, infelizmente, não passa de um grande show, onde seres estereotipados e deslumbrados, em sua grande maioria, nem sabem o propósito real de estarem ali... só querem farra. Sou totalmente contra qualquer expressão de violência, mas a libertinagem é tão exagerada que acaba agredindo aos olhares (E olha que nem precisam ser conservadores!). Depois reclamam da violência. Por favor! Será que é desse jeito que queremos ser representados? Não creio que essa superexposição desorientada seja traduzida de forma positiva. O preconceito, querendo ou não, faz parte de nossa humanidade e, até que se transforme em conceito, demanda tempo e conhecimento de causa. A mídia, gradativamente tem explorado a homossexualidade cada vez mais, por vezes de forma positiva e outras nem tanto. O fato é que já não necessitamos de todo esse carnaval para sermos notados e respeitados, a condução pede novos rumos. Acredito até que, assim, o tiro acabe saindo pela culatra... Meu caro amigo, quando você diz que, “ as vezes não encontra saída para expressar quem é e o que pensa”, só demonstra a sua sensibilidade, a sua consciência dentro do mundo que habita. Não se sinta mal por isso, significa maturidade, reflexão e observação. E além do mais, mesmo que de forma anônima, estamos aqui não é mesmo? Muitas vezes pequenos gestos, conscientes, alcançam um número muito maior e de forma mais profunda... Porque atingem o seu objetivo... Nos faz refletir. Forte abraço!

Fred disse...

Se sentiu?????
Amigo... eu SOU um cara estranho... hehehe!
Show de post! Hugz!

Raphael Martins disse...

Que bom que gostou da entrevista com o Bratz. Gostei daqui e tô seguindo !! Abraço !!!

Alguém Por Aí disse...

Eros, excelente texto. Concordo com você em muitas questões que abordou em relação a Parada Gay, mas ainda acredito que ela se faz necessária. Fredinho.... somos estranhos. rsrsrs
Raphael, bem vindo e obrigado pela visita!!!

Cara Comum disse...

[Se sentiu?????
Amigo... eu SOU um cara estranho... hehehe!] 2

Mas comecei a pensar que quando o que sou representa agressão aos outros, o problema está nos outros e não em mim...

Abraços!