domingo

Em busca do Bode



Uma das coisas que mais me atormenta é quando começo a pensar quem me passou essa merda.  Aparentemente essa pergunta seria difícil responder, mas existem algumas suspeitas que eu aposto.
Meu último exame negativo foi há aproximadamente um ano e meio. Isso é relativamente pouco tempo. De lá pra cá tive poucas relações sexuais desprotegidas. Uma me deixou preocupado pois houve sangramento. Mas mesmo assim foi via oral, forma mais rara de transmissão do HIV. A minha suspeita é outra...
Há alguns meses conheci Joselito. Sabe aquele tipo de cara que te conquista no primeiro encontro? Pois é... achei que fosse virar namoro. Ele é um cara bonito, másculo e excitante, do tipo de deixar qualquer um a ponto de cometer uma loucura. Depois de anos vacinado, transei com ele sem camisinha e por mais de uma vez. Conversamos muito sobre isso e inclusive sobre HIV. Ele se mostrou tranqüilo e inclusive doou sangue enquanto estávamos juntos. Confesso que fiquei mais seguro quanto a isso.
O problema é que não tenho certeza. Tenho medo de acusá-lo sem estar certo disso. Fico também preocupado em ter passado pra ele, pois não dá pra saber ao certo quanto tempo estou com vírus. Já pensei em conversar muitas vezes, mas temos muitos amigos em comum. Tenho medo. Fico tranquilo quando penso que ele é doador de sangue. Ou seria apenas uma fachada? Ele é muito estranho... assim como apareceu na minha vida, sumiu. 
Sinceramente, tenho tido tantos problemas pra resolver nesse momento da minha vida que as vezes prefiro não saber de onde veio pois nada vai mudar essa condição. Bode expiatório não vai melhorar minha situação. O fato é que daqui pra frente não haverá deslize. Tenho a obrigação de cuidar de mim e das pessoas com a qual possa vir me relacionar. Espero encontrar alguém que me ame, independente das limitações que eu tenha. Quero viver, ser feliz, viajar e aproveitar minha vida e sobrevida, que seja! 
Recentemente revivi uma relação passada. Fiquei com meu ex. Isso foi muito bom pois eu tava muito carente e ele me deu carinho e me tratou como na época que namorávamos. Mas confesso que foi dificil me entregar completamente no sexo. Por mais que saiba as formas que podem transmitir o vírus, tenho muito medo de magoar alguém que amo. Foi muito ruim ter a sensação que poderia contaminá-lo. Isso me deixou muito mal, mesmo depois do sexo. É como se a camisinha não bastasse... terrivel sensação. As vezes me sinto como o próprio vírus ambulante, como se eu pudesse contaminar as pessoas facilmente. É como se parte do preconceito social utilizasse meu corpo para se manifestar. Espero eliminar logo esse intruso. 

6 comentários:

Amigo disse...

Sempre haverá a preocupação quanto à transmissão do vírus para os futuros parceiros, visto que a possibilidade é real, porém de chances remotas, se houver os devidos cuidados. Não sei o que me faz pensar assim, mas acho que Joselito tem uma sua parcela de culpa. Não fale se ache melhor assim. Só não se furte de conhecer novas pessoas por medos ou receios. O mundo mudou e boa parte das pessoas não encara o estabelecimento de uma relação soro discordante como um risco maior, do que qualquer outro relacionamento pode oferecer. Não se veja como limitado, pois esta é uma visão ultrapassada, preconceituosa e pessimista. O que você não pode fazer hoje, que um soro negativo pode? Transar sem camisinha? Planos para o futuro? Pare e pense.

Ninguém por aí disse...

Faltou o botão curtir! Amigo, você é ótimo! "Vc é lindo, mais que demais, vc é lindo sim!"

amiga. disse...

concordo com o amigo.

Anônimo disse...

Seu blog é excelente. Já faz um tempo que li pra me emocionar. Na faculdade que faço aqui no Ceará conheço vários LGBTs e alguns já me referiram como "o doador" aquele que faz isso para mostrar para a sociedade que é soro negativo. É muito triste ouvir isso pois 4 pessoas se beneficiariam de uma única bolsa. Porém não quero que o julgue, pois as vezes foi aquele que a gente menos imaginou. Te desejo uma boa sorte em tudo e, falando por mim, que Deus te abençoe muito.

Fabrício Oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabrício Oliveira disse...

Tenho minhas suspeitas mas da mesma forma que você, acho completamente inútil focar meu pensamento nisso. O que importa agora é fazer planos, estipular metas e ser feliz, como muito bem disse o Amigo.